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A liturgia é a celebração do Mistério Pascal de Cristo. Em volta deste núcleo fundamental da nossa fé, celebramos o Ano Litúrgico que foi se organizando para manter viva a memória do Ressuscitado na vida de cada pessoa e de cada comunidade.O Ano Litúrgico “revela todo mistério de Cristo no decorrer do ano, desde a encarnação e nascimento até à ascensão, ao Pentecostes e à expectativa da feliz esperança da vinda do Senhor” (SC102). E não recorda apenas as ações de Jesus Cristo, nem somente renova a lembrança de ações passadas, mas sua celebração tem força sacramental e especial eficácia para alimentar a fé cristã. Por isso, o Ano Litúrgico é sacramento e, assim, torna-se um caminho pedagógico-espiritual nos ritmos do tempo.

 

 


Imagem com melhor qualidade.

 

 

1. COMO ESTÁ DIVIDIDO O ANO LITÚRGICO:

 

O Ano Litúrgico não coincide com o Ano Civil, isto é, não começa no mesmo dia; enquanto o Ano Civil começa em 1º de janeiro terminando no dia 31 de dezembro, o Ano Litúrgico inicia-se quatro domingos antes do Natal, respectivamente no 1º Domingo do Advento e termina com a festa de Cristo Rei, último domingo antes do Advento. Isso acontece porque a liturgia é marcada pelo Domingo, dia da semana em que Cristo ressuscitou. Por esse motivo, o domingo é tido com o principal dia de festa, e de todos eles o mais importante é o de Páscoa, ressurreição do Senhor. O calendário civil é marcado pelo movimento da Terra, enquanto o calendário litúrgico é marcado pela história da salvação.Sendo o Ano Litúrgico formado por dois grandes ciclos - o do Natal e o da Páscoa - e por um longo período de 33 ou 34 semanas, dependendo do ano, chamado de Tempo Comum. Podemos descrevê-lo, mais precisamente, da seguinte maneira:  

1.1 Ciclo de Natal:

Inicia-se com o Advento, que é um período de preparação - e não de penitência - e esperança, recordando a chegada do Natal e o eminente retorno de Cristo. A seguir vem o Natal, que lembra o nascimento humano do Verbo divino. Depois vem a Epifania, que mostra Jesus se manifestando às nações como o Filho de Deus. Por fim, vem o Batismo do Senhor, que marca o início da missão de Jesus que culminará com a Páscoa. 

1.2 Primeira parte do Tempo Comum:

Inicia-se após o Batismo do Senhor e vai até a terça-feira anterior à Quarta-Feira de Cinzas. É um tempo destinado ao acolhimento do Reino de Deus pregado por Jesus. 

1.3 Ciclo da Páscoa:

Começa na Quarta-Feira de Cinzas, quando se inicia a Quaresma; esta, dura quarenta dias, os quais são destinados à penitência, oração, jejum e, principalmente, conversão. Durante a Quaresma não proferimos "aleluias" e nem enfeitamos as igrejas com flores. Ao final da Quaresma, inicia-se a Semana Santa, que é formada pelo Domingo de Ramos (que mostra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, anunciando a proximidade da Páscoa) e o Tríduo Pascal (que tem, na Ressurreição do Senhor o seu ponto máximo no Ano Litúrgico e que ocorre durante a vigília do Domingo da Páscoa). Cinqüenta dias depois da Páscoa, temos o Pentecostes, que assinala o nascimento da Igreja iluminada pela presença vivificadora do Espírito Santo. 

1.4 Segunda Parte do Tempo Comum:

Começa na segunda-feira após o Domingo de Pentecostes e termina no sábado anterior ao Primeiro Domingo do Advento (v. Ciclo de Natal). Possui a mesma finalidade da primeira parte do Tempo Comum. 

2. A ESTRUTURA DO ANO LITURGICO

2.1 Ciclo do Natal:

O Ciclo do Natal começa com o Advento, inclui o Natal propriamente dito, passa pela Epifania e termina no dia 10 de janeiro, na festa do batismo de Jesus.  

2.2 Advento:

É o ponto de partida e de chegada do Ano Litúrgico. É o tempo de expectativa diante do Cristo que irá nascer. A espiritualidade está focalizada na Esperança e Purificação da Vida. O ensinamento da Igreja Católica está direcionado para o anúncio da vinda do Messias e lembra a espera da humanidade, escrava do pecado, pelo libertador. Por isso é tempo de penitência e conversão. A cor predominante é a Roxa mas recomenda-se a rosa no III domingo do advento. A cor rosada no altar, na mesa da palavra e nas vestes litúrgicas lembra-nos uma espera alegre, enche nossos corações de esperança e nos ajuda a distinguir do tempo quaresmal, marcado pelo roxo de penitência. São as quatro semanas que antecedem o Natal até o dia 24 de dezembro, à tarde, a Vigília do Natal.  

2.3 Natal:

Lembra o nascimento de Jesus em Belém, em que celebramos a humanidade do nosso Deus e festejamos a Salvação que entra definitivamente em nossa história. Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo é comemorado no dia 25 de dezembro. A cor utilizada é a branca ou amarela. A festa do Natal começa com a vigília do Natal, no dia 24 de dezembro, e se prolonga até 1º de janeiro. 

2.4 Epifania:

Celebrada no dia 03 de janeiro. É uma festa que lembra a manifestação de Jesus como Filho de Deus. Aqui aparecem os reis magos para mostrar que esta manifestação é a todas as nações da Terra. Além da solenidade da Epifania existem outras manifestações do Senhor celebradas no Ciclo de Natal, como, por exemplo, a festa da Apresentação do Senhor, no dia 02 de fevereiro. É conhecida também como Festa de nossa Senhora das Candeias. A cor predominante é também a branca. 

2.5 Tempo Comum (1ª Parte):

O início do tempo comum acontecerá na segunda-feira, 11 de janeiro após o Batismo de Jesus e o término da comemoração ocorrerá na véspera da quarta-feira de cinzas, ou seja, em 16 de fevereiro. A espiritualidade visa a esperança e escuta da palavra e o ensinamento baseia-se no anúncio do Reino de Deus. A cor usual é verde.  

2.6 Ciclo da Páscoa:

A primeira parte do Ciclo da Páscoa começará pela Quaresma, cujo espiritualidade tem como foco a Penitência e Conversão. O ensinamento estará voltado para a Misericórdia de Deus. A segunda parte diz respeito à Páscoa propriamente dita. A Alegria de Cristo Ressuscitado constitui a espiritualidade da Páscoa. Tem-se como ensinamento a Ressurreição e vida eterna e a cor usada é a branca.  

2.7 Quaresma:

Começa com a quarta-feira de cinzas e se estende até o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Sendo tempo de penitência e conversão, a Igreja se exercita de maneira especial no jejum, esmola e oração; nesse período omite-se o canto do glória na eucaristia. É a preparação para a Páscoa do Senhor. Os quarenta dias da quaresma lembram a caminhada de quarenta anos do povo de Deus no deserto. A cor usada é a Roxa; como no tempo do Natal, a cor rosa pode ser usada no quarto domingo da quaresma, representando tristeza. O ponto alto desse tempo é a Semana Santa.  

2.8 Páscoa:

Começa com a ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. Neste dia é celebrada a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. A cor utilizada é a branca, que representa a ressurreição, vitória, pureza e alegria; é a cor dos batizados. Pela manhã, acontece a missa do crisma, que reúne todos os padres da Arquidiocese em torno do bispo. Na sexta-feira, celebra-se a paixão e a morte de Jesus sendo que a cor utilizada é a vermelha. É o único dia do ano que não tem missa. Acontece apenas uma Celebração da Palavra. No sábado acontece a solene Vigília Pascal. Este é o tríduo pascal que prepara o ponto máximo da páscoa: o domingo da ressurreição. A palavra páscoa significa passagem. Para nós, cristãos, é a passagem do pecado e da morte para a graça e para a vida. A Festa da Páscoa não se restringe ao Domingo da Ressurreição. Ela se estende até a Festa de Pentecostes.  

2.9 Pentecostes:

É celebrado 50 dias após a Páscoa. Jesus ressuscitado volta ao Pai e nos envia o Paráclito. É o Espírito Santo que anima a Igreja na caminhada em direção à casa do Pai. A cor utilizada é a vermelha que lembra o fogo do Espírito Santo. Ele nos dá força para testemunhar a verdade e nos socorre com seus dons. 

2.10 Tempo Comum (2ª Parte):

Na segunda-feira, após o Pentecostes, será iniciada segunda parte do Tempo Comum, cujo término só ocorrerá na véspera do primeiro domingo do Advento A vivência do Reino de Deus é o tema da espiritualidade e o ensinamento esta voltado para a assertiva de que os cristãos são o sinal do Reino de Deus. A cor a ser utilizada será a verde. 

3. AS CORES LITÚRGICAS

Quando vamos à Igreja, notamos que o altar, o tabernáculo, o ambão e até mesmo a estola usada pelo sacerdote e o diácono combinam todos com uma mesma cor. Percebemos também que, a cada semana que passa, essa cor pode variar ou permanecer a mesma. Se acontecer de, no mesmo dia, irmos a duas igrejas diferentes comprovaremos que ambas utilizam as mesmíssimas coisas. Dessa forma, concluímos que as cores possuem algum significado para a Igreja. Na verdade, a cor usada em um certo dia é válida para toda a Igreja, que obedece um mesmo calendário litúrgico. Conforme a missa do dia - indicada pelo calendário - fica estabelecida determinada cor. Mas o que simbolizam essas cores?  

3.1 Verde:

Simboliza a esperança que todo cristão deve professar. Usada nas missas do Tempo Comum. 

3.2 Branco:

Simboliza a alegria cristã e o Cristo vivo. Usada nas missas de Natal, Páscoa, etc... Nas grandes solenidades, pode ser substituída pelo amarelo ou, mais especificamente, o dourado. 

3.3 Vermelho:

Simboliza o fogo purificador, o sangue e o martírio. Usada nas missas de Pentecostes e santos mártires, não pode ser substituída. 

3.4 Roxo:

Simboliza a preparação, penitência ou conversão. Usada nas missas da Quaresma e do Advento. 

3.5 Rosa:

Usada somente em dois momentos do ano, no o quarto domingo da Quaresma e no terceiro domingo do Advento, em ambas simbolizando a alegria.  

4. AS LEITURAS DAS CELEBRAÇÕES:

A cada ano, a Igreja propõe diferentes leituras seguindo os evangelhos sinóticos: assim temos o Ano A, centrado em Mateus; O Ano B, centrado em Marcos; e o Ano C, centrado em Lucas, com inserções de João (que também está presente nos outros anos litúrgicos em ocasiões especiais).
Na celebração dominical são proclamadas três leituras: uma do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento. O Salmo Responsorial é a nossa resposta meditativa à primeira leitura. Ele pode ser cantado, recitado, ou apenas o refrão ser cantado e os versos recitados.